Mudança em Porto Alegre – Revitalização do Cais Mauá

Mudança em Porto Alegre – Revitalização do Cais Mauá

Cais Mauá é exemplo do jeito gaúcho de resistir, por Rosane de Oliveira

O Rio Grande do Sul é um Estado que se orgulha de suas tradições (o que é ótimo), mas tem uma incrível vocação para viver do passado. Qualquer tentativa de mudar alguma coisa, mesmo que para melhor, esbarra numa muralha de conservadorismo. Ainda vivemos como se houvesse dinheiro farto nos cofres públicos para não precisar da iniciativa privada, esse ente ganancioso que, vejam só, quer recuperar o dinheiro investido e lucrar quando entra numa parceria com o Estado.

Os românticos porto-alegrenses cochilaram à época em que se discutiu o projeto de revitalização do Cais Mauá e não conseguiram evitar a realização da licitação e a assinatura do contrato. Eis que agora, quando o Estudo de Impacto Ambiental está pronto e a fase de licenciamento se encaminha para o desfecho, um grupo se mobiliza para começar tudo de novo. São pessoas bem-intencionadas, de respeitável formação intelectual, mas que parecem não ter se dado conta de que os tempos mudaram. E, mais estranho, parte dos inimigos do projeto Cais Mauá se encanta com a beleza do cais de Barcelona e com o Puerto Madero, em Buenos Aires.

Em um mundo ideal, o poder público faria a reforma dos armazéns e ali instalaria equipamentos culturais gratuitos ou lojinhas de artesanato para a população usufruir. No mundo real, a prefeitura e o Estado não têm dinheiro nem para garantir saúde e educação de qualidade para as crianças. Repassar o Cais Mauá para um investidor privado reformar os armazéns e explorar todo o complexo foi a saída encontrada para que os porto-alegrenses e turistas possam usufruir dessa área que está abandonada há décadas e à qual só se tem acesso uma vez por ano, na Feira do Livro.

– Ah, mas vão construir um prédio de escritórios e um shopping center – reclamam os adversários do projeto.

– E é elitista porque vai ter um estacionamento para 4 mil carros – agregam outras vozes.

Sim, e daí? Por acaso algum negócio hoje prospera sem estacionamento? Não quer ir de carro? Vai a pé, de ônibus ou de bicicleta. Quem quiser frequentar o cais sem gastar um centavo poderá levar sua cuia ou sua cesta de piquenique e passar o dia contemplando o Guaíba, com pôr do sol incluído. Para quem quiser consumir, haverá bares, restaurantes e lojas.

Fonte: Zero Hora – Rosane de Oliveira – publicado ontem, 19/09/2015


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